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quinta-feira, 6 de setembro de 2007

Estudo diz que pecuária desmata a Amazônia, e não a soja

Cibelle Bouças e Bettina Barros para Valor

É a pecuária, e não a soja, a maior responsável pelo desmatamento na Amazônia. É isso o que diz um estudo divulgado pelo Conselho Regional de Economia do Distrito Federal (Corecon-DF) e que vai ser utilizado como base pelo Ministério da Integração Nacional para definir o planejamento territorial na região.

"A gente fica batendo na tecla errada, esquece o efetivo responsável e acaba adotando políticas públicas erradas", afirma Julio Miragaya, autor do estudo e coordenador-geral de Planejamento e Gestão Territorial (CGPT), ligado ao Ministério da Integração Nacional. "O fantasma da Amazônia não é a soja, é a pecuária".

O economista, que escreve sua tese de doutorado sobre o papel da pecuária na ocupação da Amazônia, revela que um projeto de lei será encaminhado até outubro para o Congresso Nacional. A intenção é criar áreas de zoneamento determinando onde será permitido a criação de gado. "Terá de ser uma política de Estado e não de governo, senão não dará certo", diz ele.

Com base nos dados da produção de pecuária municipal do IBGE, o documento afirma que 34,667 milhões de hectares da Amazônia foram ocupados com pecuária entre 1990 e 2005. Outros 5,405 milhões foram ocupados com soja, seguida por milho (930 mil hectares), arroz (508 mil) e algodão (432 mil).

Nesse período, o Brasil registrou um aumento expressivo de 40,8% de gado bovino no seu rebanho. Das 60,05 milhões de cabeças, nada menos que 80,5% se deram nos nove Estados que compõem a Amazônia Legal.

Miragaya salienta que o avanço do plantio de soja em áreas que antes eram ocupadas pela pecuária, sobretudo no Centro-Oeste, forçou o avanço do gado para as áreas amazônicas. Esse efeito indireto, segundo ele, teria sido equivalente a 4,62 milhões de hectares (ou 15% das áreas utilizadas para o agronegócio).

A conjuntura internacional foi determinante para esse movimento. Grandes exportadores de carne bovina estão encurralados, diz o economista, cuja tese de doutorado é sobre o papel da pecuária na ocupação da Amazônia. Ele cita como exemplos Austrália, Argentina e EUA. O denominador comum é a limitação de terras disponíveis para o avanço do gado, no momento em que soja e milho ganham importância nos mercados internacionais.

"Ao contrário dos nossos concorrentes, o Brasil tem terras demais. E para onde o gado está indo? Para a Amazônia, enquanto nas demais regiões do país os rebanhos estão em declínio", diz.

É o que se conhece como movimento de "subida do boi". Expulsos por culturas mais rentáveis do sul, sudeste e centro-oeste do país, os rebanhos bovinos encontraram na região amazônica condições ideais para crescer: terras baratas (em muitos casos griladas), solos e clima impróprios para lavouras em algumas localidades. A falta de infra-estrutura, indispensável para as grandes plantações de grãos, é outro fator que explica esse movimento.

Rondônia e Acre registraram em 15 anos o crescimento mais acelerado na criação de boi na Amazônia Legal - 560% e 478%, respectivamente. Mato Grosso e Pará incrementaram suas criações em 200%, cada um. Amazonas, Tocantins e Maranhão foram os únicos que registraram expansão de pecuária abaixo dos 100%, no período de 1990 e 2005.

"Quase todo esse crescimento foi puxado pelas exportações", diz Paulo Barreto, especialista em cenários de ocupação do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon). Segundo ele, no início dos anos 90 eram exportados apenas 5% de toda a produção nacional de carne bovina. Em 2006, os embarques representavam 25%.

O estudo mostra que o impacto da soja ainda é bastante limitado em relação ao desmatamento provocado por outros setores do agronegócio. "Não é a pecuária a responsável pela invasão na região amazônica. Falta na região um melhor controle do direito de propriedade. Muitas das propriedades não têm título e é isso que gera a disputa pela terra e fomenta a invasão de áreas", afirma Cesário Ramalho, presidente da Sociedade Rural Brasileira (SRB). Para ele, no entanto, não há necessidade de se criar um zoneamento por culturas da região amazônica. "O próprio mercado decide se vale a pena plantar ou não", diz, citando como referência a moratória da soja assinada pelas indústrias esmagadoras, que se comprometeram a não comprar grão produzido em áreas desmatadas do bioma amazônico.

quinta-feira, 9 de agosto de 2007

Mude a sua dieta e salve a Amazônia

Por Pablo Nogueira para a Galileu de Agosto

"A pecuária está crescendo na Amazônia, e vai crescer ainda mais. A lei diz que podemos explorar 20% da Amazônia. Ou vamos transformar a região numa reserva internacional? Aí cabe perguntar aos outros países, principalmente aos desenvolvidos, o seguinte: se eles puderam explorar o território deles, por que não podemos fazer o mesmo com o nosso?", diz Nehmi. Ele também refuta a idéia de mudar a dieta para combater o desmatamento. "O verdadeiro problema é o crescimento populacional, que acarreta aumento no consumo. Posso aceitar usar menos celular ou andar menos de automóvel para preservar o ambiente. Mas pedir a um homem que pare de comer não faz sentido.

"A preservação da Amazônia não é o único argumento para defender mudanças na dieta. Num estudo publicado em julho na revista "Earth Interactions", os geólogos americanos Gidon Eschel e Pamela Martin, da Universidade de Chicago, avaliaram como o consumo médio de carne pelos americanos se reflete na emissão de gases de efeito estufa, como metano e óxido nítrico. Segundo eles, o total de metano e óxido nítrico produzido pela pecuária nos EUA jogou na atmosfera o equivalente a 232 milhões de toneladas de CO2 apenas em 2003. É como se, graças a sua dieta, cada um dos 291 milhões de americanos fosse individualmente responsável pela emissão de 800 kg de CO2. Os pesquisadores dizem que o americano que optar por reduzir o consumo semanal de hambúrger, passando de dois para um, conseguiria diminuir em 100 kg de CO2 sua participação na emissão dos gases. O estudo mostrou também que, mesmo o consumo de carnes brancas como frango e peixe, pode ter impactos importantes sobre o efeito estufa. "Há fontes ocultas de emissões de gases que estão relacionadas a escolhas que fazemos diariamente, mas sem consciência", afirma Pamela, que se define como 95% vegetariana.

Como salvar o planeta?
(foto) Colheita de soja em Mato Grosso. Desmatamento na região já bateu o 1,25 milhão de hectares.

Talvez essa virada dietética já tenha começado. Em julho, o beatle Paul McCartney declarou em entrevista que "a Amazônia está sendo desmatada pelo gado de hambúrgueres" e fez uma defesa do vegetarianismo. Aqui no Brasil, o pequeno Gabriel Ornelas, 5 anos, aderiu à onda desde o ano passado, quando aprendeu na escola que os puns da vaca contribuem para o aquecimento. A mãe, a psicóloga carioca Liana Fonseca, diz que o filho nunca foi lá muito fã do alimento. Mas isso não diminui sua precoce consciência ambiental, que se revela também em outros momentos. "Certa vez, ele viu um amigo do pai jogando lixo na rua e explicou a importância de fazer a coleta correta. De outra, pediu à empregada para não jogar o óleo na pia", lembra a mãe. Indagado pelos professores sobre ações que podem salvar o planeta, Gabriel sugeriu carros menos poluentes, coleta seletiva e "compartilhar brinquedos com as criancas pobres".

Bravo, Gabriel. A necessidade de consumo consciente - seja de brinquedos, de carros, ou de comida - é uma realidade com a qual temos de conviver. Mesmo quem não pensa em mudar hábitos alimentares não pode mais se furtar a avaliar os impactos ambientais de suas opções cotidianas. O planeta agradece.

Página 1: Mude a sua dieta e salve a Amazônia
Página 2: Mude a sua dieta e salve a Amazônia

Como o consumo de carne adoece o planeta?

Site da Campanha, aqui.
O aquecimento global é um fenômeno que tem alterado nas últimas décadas o equilíbrio das funções naturais do planeta Terra. Ele é considerado a maior ameaça à manutenção e sobrevivência da espécie humana e de muitos outros seres do planeta.

É consenso que as atividades humanas, desde o século XIX, são as maiores responsáveis pela alteração dessas funções, e uma das maiores, senão a maior, é a produção e consumo de animais.

A alimentação humana mudou consideravelmente nas últimas gerações. Consumimos cada vez mais proteínas de origem animal, o volume da produção desses alimentos nunca foi tão grande e, a cada dia, mais e mais pessoas no mundo passam a ter em sua dieta mais e mais alimentos de origem animal.

Apesar do decréscimo, ou estagnação, em países europeus e norte-americanos, e inclusive no Brasil, o consumo de carne está associado à renda per capita. A partir do momento em que as populações mais pobres elevam sua renda, passam a adquirir hábitos alimentares e de consumo diferentes. Essa é a grande razão do aumento no consumo de animais.

Só no Brasil o número de cabeças de gado é superior à sua população, são quase 170 milhões de brasileiros contra quase 200 milhões só de bovinos (IBGE,2000).

Por isso, estudos recentes da ONU e FAO (Órgão das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura) demonstram que a alimentação humana atual é uma das maiores formas de degradação e poluição ambiental existentes. Todo o processo de produção e consumo de carne, peixe, frangos, ovos, leite, porcos etc. destinados à alimentação humana são responsáveis por:

-Produção de grande parte dos gases que provocam o efeito estufa

-Desmatamento de florestas originais e perda da Biodiversidade

-Contaminação de rios, lagos, lençóis d´água, aqüíferos e mares

-Contaminação do solo-Exaustão e esgotamento das fontes naturais de água potável

-Diminuição da capacidade nutricional de alimentos vegetais

-Aumento da concentração de renda e conseqüente aumento da pobreza

-Geração e manutenção de inúmeras doenças


Como?

Todo animal produz excrementos e/ou gases que emitem substâncias que provocam o efeito estufa. O efeito estufa impede que o calor produzido tanto pelas atividades humanas quanto pela energia solar, atravesse as camadas mais altas da atmosfera e se disperse no espaço, permanecendo nas camadas mais baixas e aquecendo o planeta.

Segundo a FAO, a criação desses animais é responsável pela emissão de 18% dos gases do efeito estufa, número superior ao emitido pelo setor de transportes. São cerca de 37% das emissões globais de metano e 65% de óxido nitroso, gases com efeito dezenas de vezes superior que o gás carbônico.

Para produzir animais destinados ao nosso consumo, precisamos alimentá-los. Cerca de metade da superfície agricultável da Terra tornou-se pasto, não contabilizando-se a área destinada à produção de grãos para ração.

A produção de animais polui solo e rios com toneladas de excrementos diários e matéria orgânica oriunda do abate. Com o uso de antibióticos e outras substâncias como desruptores endócrinos, a contaminação torna-se mais perigosa, tais substâncias chegam à cadeia alimentar humana por vias indiretas como a ingestão de água e vegetais. E Isso sem contar com a poluição do ar e a contaminação que a agricultura intensiva, necessária à produção de grãos causa.

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